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Transtorno de Humor, Ansiedade, Depressão e Exercício

Os Transtornos de Humor-Ansiedade e Exercício Físico

Tem sido preconizado que a prática sistemática de exercício físico está associada a menor ocorrência de sintomas depressivos ou de ansiedade em praticantes freqüentes e, mesmo em pessoas consideradas depressivas, a adoção de programas de exercício físico tem se mostrado eficaz na redução dos sintomas (Pitts, 1967; Grosz, 1972).

Não basta, em medicina, acreditar que exercício físico é bom para Depressão, Ansiedade, Pânico, etc. Há necessidade de se determinar como e porque ocorre melhora dos transtornos de humor, estudar se esses exercícios devem ser aeróbicos ou de força, se a melhora é temporária e aguda ou é mais duradoura e depois de um programa de treinamento.

De certo e consensual até agora é que, de fato, a prática de exercícios reduz os sintomas nos transtornos de humor, mas não há consenso entre os pesquisadores de como isso ocorre.
Marco Túlio de Mello e cols fazem uma revisão sobre o assunto. Citam os experimentos de Morgan, que avaliou 15 homens adultos depois de correrem por 15 minutos. A ansiedade diminuía abaixo da linha basal imediatamente após a corrida e permanecia diminuída por 20 minutos. Seis homens com ansiedade neurótica e seis normais foram testados, antes e durante o teste completo, em esteira ergométrica até à exaustão, e os resultados demonstraram uma redução nos escores de ansiedade. As pesquisas fazem distinção entre a Ansiedade Traço (de personalidade) e a Ansiedade Circunstancial.

Os trabalhos de O Connor et al, demonstraram que as respostas de ansiedade ao exercício máximo, além de dependerem do nível de ansiedade que a pessoa possuía antes de começar o exercício, o nível da ansiedade só é diminuído depois de 10-15 minutos que o exercício terminou.

A eficácia do exercício físico associado a sintomas depressivos também tem sido relatada em relação a estados depressivos. Resultados têm demonstrado que o exercício aeróbio melhora a aptidão e diminui os sintomas depressivos, principalmente se são aplicados programas prolongados e regulares, como por exemplo, durante 12 semanas. Esta melhora pode ser resultado tanto de mecanismos fisiológicos, quanto comportamentais associados com exercício aeróbio.

Interessante é o estudo de Lopes (2001), também citado Marco Túlio de Mello e cols, que observou os efeitos de oito semanas de exercício físico aeróbio nos níveis de serotonina e depressão em mulheres entre 50 e 72 anos. Os resultados indicaram que a relação entre exercício físico e mobilização de gordura corporal proporciona uma melhora nos estados de humor.

Florindo Stella e cols (2002) têm um trabalho interessante sobre a utilização de exercícios físicos no tratamento da depressão em idosos. Eles citam Cooper (1982), para o qual o exercício físico, em particular o chamado aeróbio, realizado com intensidade moderada e longa duração (a partir de 30 minutos), propicia alívio do estresse ou tensão devido ao aumento da taxa de um conjunto de hormônios denominados endorfinas. Essas endorfinas são substâncias elaboradas pelo próprio Sistema Nervoso Central e agem aliviando o impacto estressor do ambiente. Por causa disso as endorfinas podem prevenir ou reduzir transtornos depressivos, conforme se comprova por vários estudos.

Ainda referido por Stella, Blumenthal et al. (1999) têm um interessante trabalho com 156 idosos, todos portadores de desordem depressiva (comprovada por escores maiores ou iguais a 13 na escala de Hamilton), e com duração de 4 meses. Esses idosos foram divididos em três grupos:
Um grupo tratado com medicamento (GM), no caso o antidepressivo cloridrato de sertralina (inibidor seletivo de recaptura de serotonina); um grupo tratado com exercício (GE) na intensidade de 70 a 85% da freqüência cardíaca de reserva e com duração de 45 minutos (10 minutos de aquecimento; 30 minutos pedalando ou andando forçadamente ou correndo levemente; 5 minutos de volta à calma), com 3 sessões semanais, e um terceiro grupo combinado (GC), tratado com medicamento associado ao exercício.

Depois de 16 semanas, os três grupos apresentaram resultados semelhantes, com redução dos níveis de depressão. Apesar dos pacientes com medicamento terem mostrado uma resposta inicial mais rápida, os autores concluíram que a atividade física regular deve ser considerada uma alternativa não-farmacológica para o tratamento do transtorno depressivo em idosos.

Este mesmo GE foi acompanhado durante seis meses seguintes, concluindo-se, ao final, que foi o grupo com menores taxas de recaída, menores inclusive que as pessoas do GM. Essas pesquisas mostram que a atividade física regular deve ser considerada como uma alternativa não-farmacológica do tratamento do transtorno depressivo.

Fonte: PsiqWeb

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